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Abre a porta! Deixa eu entrar! {…}

Por favor, não somos Titanics ou apenas um. Não ficamos de braços abertos em frente ao desértico mar e nem dançamos quando a maré subia. Não ficamos nus ao luar e nem de topless ao sol. Engraçado pensar. Pensar nas primeiras ruas virgens e dos locais em que o acaso impulsionou-nos a ir. Descobrir alguns outonos e primaveras que deixávamos passar diante de janelas fechadas e sem qualquer espiada de quem esteve diante dela, ali. Nunca fomos de mostrar-nos aos ouros e lamber diamantes em público ou as escuras, sempre discretos. Não fugitivos ou furtivos. Alguns se enrolavam no cinema, fechavam seus olhos a tela e tudo que queriam eram o escurinho. Não que estar no escuro agarradinho de mãos entrelaçadas ou na insanidade amada era ruim, mas questionamos a ideia de lugar, instante e momento. Nossa única diferença era o “crítico do prazer”, assim chamamos nossos olhos cobertos de amor no cinema, mas sem tirar o olho da tela e do cérebro acordado a cada movimento cinematográfico. Era nos corredores a cada resenha que pegávamos-nos. Ah, suspiros e risos.
Você ainda sente medo de nós, juntos. E/ou da possibilidade da felicidade em conjunto. Tem medo de acabar as riquezas que construímos, dos capítulos juntos que descrevíamos e das blusas que perdi durante o caminho com os pés descalços segurando seus saltos. Queria que não tivesse o tempo do mundo, esse entra e sai da rotina-escravista. “Liberta-te ou libertais!”. Quando usou Titanic para descrever seus relacionamentos de naufrágios e icebergs não questionei que também tive-os. Não conseguia pensar em quem um dia estive, foi se apagando e tomando crescimento, superação, aprendizado e força. Parei de pensar naquelas pessoas que um dia não quis encontrar na vida. Perdi nomes, rostos, {…} Alguns suspiros de alívios e alívios depois de “porres” foram necessários. É como estar num falecimento, precisamos de uma cerimônia para entender que se foi e acabou.

Enfim, vou ficar sentado neste corredor, esperando entender o surto psicótico-futuro-provável-amoroso. Não vou julgar, porque se fosse não estaria te esperando e {…} Já estive no meu, monumental-surto. É insano, abrir mão de tudo para recomeçar, tentar esquecer os encontros que lutava por um tempo juntos. Não é fácil pular de um livro para outro. Só quero que lembre que estarei aqui, mesmo querendo que eu vá. Mas pense o seguinte, não está me vendo só ouvindo. Ouvindo um cara sem rosto, sem corpo, apenas uma alma tocando na porta a espera que um dia abra. Faça o mesmo, abra as suas portas e deixe que a vida lhe aconteça. Não pare por seus medos, anseios; por nada.

Abra a porta, quando estiver pronta, porque mesmo se não estiver, estarei aqui por nós e/ou por você.

O cara depois da porta. B.Supernovas

(Source: parkillusions)